Hoje no meio cristão as duas formas mais aceitas de relacionamento entre duas pessoas visando um futuro casamento são o namoro convencional (o que chamarei aqui de namoro cristão) e o namoro de corte. Vamos falar um pouco sobre cada um deles para entendermos o conceito de cada um:
No namoro cristão, o casal se relaciona de uma forma em que possa se conhecer melhor e tomar a decisão de avançar cada vez mais no relacionamento até que cheguem ao casamento. Esse avanço é objetivando o amadurecimento da relação e da tomada de decisões visando o futuro do relacionamento. Normalmente se aceita que no namoro cristão haja beijos e toques de forma moderada e respeitosa. O sexo não é aceito antes do casal se casar perante a lei.
O pastor Samuel Farias, líder dos jovens da Comunidade Evangélica de Campina Grande (PB) define em linhas gerais como é o namoro de corte: “Queremos, para os solteiros, um relacionamento sem carícias, beijos, sensualidade, dependência emocional, chantagens emocionais, ciúmes, isolamento social. A ideia é que os jovens sejam movidos por princípios bíblicos e não por impulsos da paixão, sexualidade ou pressão cultural. Buscamos um relacionamento focado na amizade e no conhecimento mútuo”.
Normalmente os que defendem o namoro de corte são contrários ao namoro cristão e afirmam que não existe base bíblica para um casal namorar, além de afirmarem que o namoro de corte seria aquele que se enquadra melhor no que a Bíblia ensina.
Tenho certa resistência a esse conceito. Biblicamente ele não pode ser sustentado, principalmente porque na Bíblia existem princípios que regem o relacionamento amoroso de um casal, mas não existe o apontamento de um “método” que todos devam seguir para se relacionar amorosamente.
Concordo que o casal que quer ter um compromisso amoroso deve sim orar, deve conduzir uma relação santa e agradável a Deus, deve buscar a santidade e o respeito mútuo, porém, todas essas coisas são também possíveis dentro do namoro cristão, da mesma forma que o pecado e as ações inconvenientes também podem penetrar no namoro de corte, que parece para algumas pessoas a “salvação” contra os impulsos sexuais dos jovens (o que é uma inverdade).
Impor que não haja qualquer toque ou carícia, ou até mesmo uma proximidade maior do casal pode parecer uma boa forma de evitar as tentações da carne, porém, não acredito que seja plenamente eficaz, principalmente se considerarmos a natureza humana.
Se Jesus afirmou que alguém pode cometer um adultério apenas com a forma de olhar e cobiçar outra pessoa, um casal de namorados que não se toca e que adere a regras rígidas (namoro de corte) não pode também em suas mentes (ou longe dos olhos de seus líderes) ter uma namoro carnal e contrário a vontade de Deus? Isso é perfeitamente possível!
O fato de não se tocar talvez só facilite que não aconteça o ato carnal em si, porém, o desejo de fazer o que é errado está na mente e passa ao corpo. Assim, o importante é cuidar mais da mente e do coração, pois fazendo isso, o corpo poderá ser controlado.
Além, disso, na forma como algumas lideranças conduzem o namoro de corte, me parece que colocam um “fardo” muito grande na vida de jovens (e desnecessário), proibindo-os de fazer coisas que de forma nenhuma desrespeitariam ou maculariam o relacionamento como, por exemplo, dar um simples beijo na boca.
Quem defende o namoro de corte costuma citar casos bem sucedidos desse tipo de namoro. Creio que realmente haja esses casos, assim como também temos casos bem sucedidos de casais cristãos que manteram um namoro cristão santo até o casamento. Temos também casos de decepções nos dois tipos de namoro. Isso é natural a julgar pelo que a Bíblia diz sobre o coração humano: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).
Assim, creio que um casal poderá escolher entres os dois tipos de namoro, sem problemas. Se tiverem em mente manter um relacionamento santo, de acordo com os princípios bíblicos, o farão tanto no namoro cristão quanto no namoro de corte. Porém, se quiserem fazer aquilo que desagrada a Deus, nenhum “método” de namoro ou imposição de suas lideranças conseguirá impedi-los. Ou conseguirá?
Como sempre, a imposição não é melhor caminho. O melhor caminho é apresentar o melhor caminho, orientando sempre com base na Palavra de Deus como conduzir um relacionamento que agrada o Senhor.
Semana que vem teremos mais assuntos sobre namoro sendo discutidos abertamente aqui no blog. Até lá!

Postado por André Sanchez no Blog esboçando ideias | Divulgação: Nos Caminhos do Pai

Obrigado por me adicionar, que Deus te abençoe!!!

 

Fonte: Nos caminhos do Pai